segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Resenha filme - Narradores de Javé (2004)

Narradores de Javé (2004) Eliane Caffé

Por Uiara Melo
Mini Resenha.

    O filme de Eliane Caffé, inicia se com uma temática histórica e cultural do Vale de Javé. No primeiro momento mostra a necessidade de aprender a ler e escrever, que muitas das vezes são atropeladas pela ignorância da rotina, e do descaso. Logo depois uma das personagens começa a narra a história do Vale de Javé, um vilarejo que irá sumir do mapa após a inundação que daria vida a uma usina.
      E para que isso não se tornasse realidade, eles descobriram que se tivessem por escrito a história do Vale e provas que comprovassem o mesmo, a usina não poderia se estabelecer no local. Veio então a ideia de escreverem momentos, fatos históricos que registrassem o quanto era importante manter e preservar o lugar.
    Porém  havia um grande problema, a maioria dos moradores eram analfabetos, o que não nos assusta, porque em lugares sertanejos, muitos não tem acesso a educação, a saúde (necessidades básicas) etc, ficando então, as "margens" da sociedade. E isso era e ainda é uma questão de conveniência política.
      Partindo dessas problemáticas a escrita e a leitura que são duas necessidades de comunicação para qualquer individuo, os moradores logo se preocuparam em achar alguém capacitado para que pudesse em papel registrar as narrações dos acontecimentos de Javé. Entretanto a pessoa indicada para tal, era a única que não era bem-vinda no vale, devido ao uso de seus conhecimentos e habilidades para difamar a integridade dos moradores só para manter o seu emprego na agencia do correios.
      Apesar dos pesares, muitos sim e muitos não, os moradores aceitaram que o Antônio Biá o único escrevente do vale, fosse o responsável para escrever o tal livro "científico", o livro de registros.
     Sendo assim, os fatos, as histórias passadas de geração a geração se atravessavam nas histórias contadas (contos, causos). As individualidades, as narrativas eram muito subjetivas, cada um contava a história de Javé a partir da sua visão, da sua compreensão da realidade que os rodeavam. Eram tantas as pluralidades orais e multiplicidade dos fatos que o "escritor" acabou ficando confuso sem passar para o papel as informações obtidas em várias versões divergentes.
      E o filme se desdobra encima dessas valiosas premissas; escrita, leitura, narrativas diversas, fatos, tristeza pessoais e coletivas, alegrias, verdades, mentiras, oralidade etc, que nos são de direito e importância, mas que falta para muitos. Tudo se é falado, narrado, mas nada se é escrito e o livro não acontece, chegando então a usina e eles acabam ficando sem as suas terras no Vale do Javé.  Pessoas ricas de informações e vivencia, porém ignorantes e analfabetas como uma boa parte do nosso Brasil.

Vale a pena assistir o filme!

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